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TEXTO DE INTRODUÇÃO DA ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS E DOS COMPONENTES CURRICULARES

 

TEXTO DE INTRODUÇÃO DA ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS

         A Área de Ciências Humanas compreende os componentes de Geografia e História. Os respectivos componentes curriculares fazem presente na matriz curricular dos Anos Iniciais e Anos Finais do Ensino Fundamental. Os componentes têm como objeto de conhecimento ação humana no espaço e no tempo. Nesse sentido, as Ciências Humanas no percurso formativo do Ensino Fundamental compreendem um campo privilegiado para o desenvolvimento do pensamento crítico-reflexivo, compreensão dos fenômenos sociais, políticos, culturais e econômicos, discussão, conhecimento e valorização da diversidade cultural humana. 

            A área de Ciências Humanas possibilita o desenvolvimento de competências e habilidades nos estudantes que permitem o entendimento da produção do espaço, pela intervenção humana e como produto de relações sociais de poder; compreensão dos processos históricos, nas suas múltiplas dimensões, transformações, rupturas e continuidades; compreensão da constituição das diferenças culturais e dos grupos sociais, do eu e do outro, de maneira a estimular o respeito a alteridade e um convívio social; apreender procedimentos de investigação e desenvolver a capacidade de argumentação; saber lidar e intervir com os problemas sociais e ambientais, promover os direitos humanos, valorizar a diversidade sociocultural e combater preconceitos, discriminações e intolerâncias. 

Os componentes curriculares da área de Ciências Humanas articulam-se a partir das categorias de espaço geográfico e o tempo histórico, conceitos que necessitam, por sua vez, serem compreendidos de maneira entrelaçada e interdependente. A produção do espaço geográfico provém da ação humana, da relação estabelecidas entre homem e natureza, e materializa-se, na compreensão de Milton Santos enquanto “em sistemas de objetos e ações”, constituindo num dado arranjo espacial. Contudo, para um entendimento mais profundo, é necessária sua contextualização no tempo, as interações espaciais, agentes transformadores e as formas desenhadas são produtos de um tempo histórico. A compreensão do espaço geográfico ganha fôlego na medida problematiza como e por que os agentes sociais produziram no decurso do tempo. Conforme o texto da Base Nacional Curricular Comum (2007) da Área de Ciências Humanas:

O raciocínio espaço-temporal baseia-se na ideia de que o ser humano produz o espaço em que vive, apropriando-se dele em determinada circunstância histórica. A capacidade de identificação dessa circunstância impõe-se como condição para que o ser humano compreenda, interprete e avalie os significados das ações realizadas no passado ou no presente, o que o torna responsável tanto pelo saber produzido quanto pelo controle dos fenômenos naturais e históricos dos quais é agente (BRASIL, 2017). 

 Nesse sentido, entende-se que o espaço se materializa numa conjuntura temporal, produto de uma época e seus agentes sociais. Por outro lado, o tempo materializado no espaço torna-se objeto da História, sendo possível identificar no espaço as transformações, continuidades e rupturas históricas. Portanto, procura-se superar a visão fragmentada de que a Geografia estuda o espaço e o tempo presente e a História os processos históricos e o passado, e busca-se instituir uma abordagem dialética e que integre as categorias de tempo e espaço.

        Desse modo, segundo a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), a Ciências Humanas no Ensino Fundamental deve procurar estimular as novas gerações uma formação ética e responsável; valorizar os direitos humanos, o cuidado com o meio ambiente e sua sustentabilidade, o respeito pela coletividade, a disseminação de valores sociais como solidariedade, bem comum, justiça social e combate às desigualdades sociais. Além disso, cabe as Ciências Humanas fomentar o espírito de autonomia intelectual dos estudantes, a consideração pelos diferentes pontos de vistas e a capacidade de mobilizar o pensamento histórico e geográfico para a compreensão e reflexão dos fenômenos contemporâneos.

       O documento da Base Nacional Curricular Comum (BNCC) apresenta sete competências específicas para a Área de Ciências Humanas, a serem trabalhadas no tempo/espaço pedagógico e desenvolvidas pelos estudantes ao longo dos nove anos do Ensino Fundamental, sendo então elas:

 

COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE CIÊNCIAS HUMANAS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

1. Compreender a si e ao outro como identidades diferentes, de forma a exercitar o respeito à diferença em uma sociedade plural e promover os direitos humanos.

2. Analisar o mundo social, cultural e digital e o meio técnico-científico- -informacional com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, considerando suas variações de significado no tempo e no espaço, para intervir em situações do cotidiano e se posicionar diante de problemas do mundo contemporâneo.

3. Identificar, comparar e explicar a intervenção do ser humano na natureza e na sociedade, exercitando a curiosidade e propondo ideias e ações que contribuam para a transformação espacial, social e cultural, de modo a participar efetivamente das dinâmicas da vida social.

4. Interpretar e expressar sentimentos, crenças e dúvidas com relação a si mesmo, aos outros e às diferentes culturas, com base nos instrumentos de investigação das Ciências Humanas, promovendo o acolhimento e a valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

5. Comparar eventos ocorridos simultaneamente no mesmo espaço e em espaços variados, e eventos ocorridos em tempos diferentes no mesmo espaço e em espaços variados.

6. Construir argumentos, com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência socioambiental, exercitando a responsabilidade e o protagonismo voltados para o bem comum e a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

7. Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica e diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de informação e comunicação no desenvolvimento do raciocínio espaço-temporal relacionado a localização, distância, direção, duração, simultaneidade, sucessão, ritmo e conexão.

COMPONENTE CURRICULAR - HISTÓRIA – TEXTO INTRODUTÓRIO            

                Algumas indagações que surgem quando se fala de estudar História deve ser esclarecida, o porquê de estudar História e o que a História estuda. O esclarecimento destas questões deve está clara para professores e estudantes. Quanto a primeira indagação é necessário deixar transparente que as questões para estudar o passado das sociedades emergem do tempo presente. O estudo da História é relevante na medida que problematiza-se a atualidade e estabelece um diálogo com o tempo presente. Em outros termos, ao nos situamos no tempo presente, do que somos enquanto sociedade, procuramos compreender como nos tornamos o que somos. Assim sendo, a partir da perspectiva do que somos enquanto sociedade, dos problemas, das contradições e dos conflitos do tempo presente que devemos tomar como ponto de partida para o estudo da História. Por outro lado, deve-se demarcar o que a História estuda as continuidades, descontinuidades e rupturas que marcam a sociedade.

      Percebe-se um avanço significativo quanto as práticas pedagógicas no ensino de História, rompendo com um ensino focado na figura “dos grandes heróis”, na memorização das datas e celebração de acontecimentos históricos, características de uma abordagem tradicional, que prevaleceu durante muito tempo, e hoje vem sendo superada. A proposta do ensino de História contemporaneamente é de aproximar cada vez mais do cotidiano, do diálogo com tempo presente e de personagens comuns, tornando as aulas mais motivadoras e significativas.

    A escola precisa  abrir espaço em sala de aula  para as  experiências vividas pelos alunos, promovendo reflexões das relações históricas em tempos e sociedades distintas, visto que, o ensino de história deve preparar os estudantes para os novos desafios do século XXI, formando cidadãos ativos, críticos, fugindo do tradicionalismo, das metodologias que apresentam uma história sem vida, um amontoado de fatos que ocorreram no passado, em sociedades diversas, muitas vezes sem nenhum significado para o educando. É preciso investir em práticas na perspectiva da construção do conhecimento onde todos são sujeitos e protagonistas da história.

    Desse modo, é esperado que sejam trabalhadas atividades que envolvam a compreensão das diferentes noções de tempo e temporalidade, o trabalho com diversos tipos de fontes históricas (oral, escrita, imagem, material), com diferentes tipos e gêneros textuais, leitura e interpretação de imagens, uso do cinema, promoção de aulas de campo com visitas a instituições e outros espaços, proposta de estudo da história local e regional. São caminhos possíveis para tornar o ensino de História significativo, oportunidade de fazer os estudantes compreenderem como se constrói o conhecimento histórico, identificar as mudanças e permanências da sociedade na qual está inserido e situá-lo como sujeito histórico.

    O ensino de História nos Anos Iniciais aborda a percepção do eu, do outro e do nós, em que possibilita aos estudantes a identificação de outros modos de vida, conhecer e comparar outras formas de organização social e cultural, a compreensão dos distintos modos de vida dos grupos sociais no tempo e no espaço, a promoção do respeito pela diversidade social e cultura humana e valorização da alteridade.

    A perspectiva do processo de ensino-aprendizagem apresentada pela Base Nacional Curricular Comum (BNCC) é do desenvolvimento do trabalho focado em competências e habilidades. O ensino de História no Ensino Fundamental tendo como referência a construção de competências e habilidades, deve recorrer a diferenças estratégias e arranjos didáticos, como o uso das diversas metodologias ativas. As competências e habilidades referentes ao componente de História visam fazer os estudantes possuírem capacidade de utilizarem fontes históricas e lidarem com o tratamento da informação; compreensão e explicação dos eventos históricos com base em conceitos e procedimentos historiográficos; elaborar o raciocínio crítico e analítico sobre a sociedade e seus problemas e desigualdades, capaz de inquirir o tempo presente e exercer uma cidadania ativa, atuando no meio social no qual está inserido; capacidade de desenvolver comunicação e diálogo, de enfrentar situações de conflito e problemas, estabelecer negociação e propor soluções. (BAHIA, 2018; BRASIL, 2017). 


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https://forms.gle/ebegn5dz5FrPhrey7


 

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